Novos Talentos FNAC Fotografia 2011
4/365
Ana Maria Russo

Este projecto, desenvolvido ao longo de 4 estações e 365 dias, tem o seu teatro ao longo de alguns quilómetros que separam pequenas povoações do distrito de Santarém e de Lisboa. Serpenteiam entre Manique do Intendente e Arrifana. Arrifana e Albergaria. Albergaria e Almoster. Foram produzidos mais de 300 diapositivos. A ideia passou por fazer um levantamento da vida que existe ao longo das bermas de estrada. Optei por apresentar aqui apenas a flora, embora as naturezas mortas, que os motoristas teimam em “semear”, produzam material mais do que suficiente para a construção de alguns projectos muito interessantes.

Porquê a flora? Sei que é mais apelativa ao olhar. No entanto, tentei captá-la com os olhos de quem passa sem parar, quase sem ver. Poucos reparam nesta beleza selvagem, primitiva. No entanto, ela está presente no dia a dia de quem vive no campo, mas surge também entre as pedras de uma qualquer calçada em uma qualquer cidade, onde quase sempre lhe é retirado o direito de sobreviver. Agarram-se à vida como podem, ultrapassando as barreiras construídas pelo homem. Nunca me pareceu que lhe fosse dado apreço especial. Decidi fazer um levantamento exaustivo, ao longo de 4 estações e 365 dias. Fica uma pequena amostra de dezasseis trabalhos, quatro por cada estação do ano.

Porquê analógico? Porque, para mim, o formato quadrado é o mais belo. Porque construir uma foto não é sinónimo de pressionar um disparador. Porque aguardar pela revelação do diapositivo, não é o mesmo que “passar” o ficheiro para o computador. Porque os compassos de espera nos criam expectativas e aguçam o “engenho”. Porque eu gosto. Poderia escrever mais 5000 palavras, mas entendo que 16 imagens de 18 x 18cm, mostradas ao longo de 4 estações e 365 dias, dizem mais que 1 pessoa.

Ana Maria Russo