Exposição
A Revolução de Abril no olhar de Carlos Gil
Carlos Gil

Exposição comemorativa dos 35 anos do 25 de Abril de 1974

Fotografias de Carlos Gil (1937-2001)

   “…Eram cinco horas da manhã. Estremunhado, oiço, do outro lado do fio, uma voz incaracterística, estranha até, que me avisava com impaciência e o máximo de brevidade: “Carlos, levanta-te, escuta a radio e vai para a rua. Leva a tua máquina que esta ai a Revolução.”, e desliga.

Carlos Gil descreveu assim o momento que na madrugada de 25 de abril de 1974 lhe proporcionou acompanhar de perto aquela derradeira manhã, apelidada pela poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen de “inteira, inicial e limpa”.

Foi preciso chegar Abril, como Carlos Gil escreveu um dia, “para que o fotojornalismo em Portugal desse o seu melhor passo em frente”, para que fosse possível “impor à imprensa portuguesa o valor de uma imagem… uma boa imagem”. Foi talvez o último dos grandes fotojornalistas analógicos, cujo destino veio com adaptador, com profissão, que utilizava como forma de contributo para uma consciência sociopolítica, humana e de cultura e riquezas imateriais. 

Dizia Carlos Gil, que um jornalista “não devia ser uma folha em branco dos dois lados, tinha de se definir!”, pois o seu trabalho não era de agência de notícias, de simples criação artística ou estética mercantil, não era para esse efeito que se movia e atravessava as zonas de conflito e de desigualdade mais prementes da geopolítica mundial.

O conjunto de fotografias que aqui se apresenta é apenas uma escolha entre muitas outras que o repórter fixou, e que pretendem recordar um percurso deste país, desde o princípio do fim da ditadura ao momento escolhido pelo próprio autor, como sendo o fim de um sonho de uma revolução de esquerda.

As legendas que se juntam a cada uma das suas fotografias beberam dos textos do jornalista Adelino Gomes, que compõem o álbum fotográfico, Carlos Gil. Um Fotografo na Revolução, Editorial Caminho 2005. 

20 de abril de 2010, Daniel Gil (jornalista)

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico***

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