Exposição
Arena #1- Antes do Combate
António Júlio Duarte

António Júlio Duarte, formado no Ar.co em Lisboa, tem exposto diversos trabalhos, individuais e colectivos, em lugares como o Centro Português de Fotografia, o Museum fur Photografie (Alemanha) e o Tokyo Photografic Center, entre outros. 

Foi membro do júri do Prémio Novo Talento FNAC Fotografia durante cinco edições. As fotografias da série “Arena #1-Antes do Combate” foram captadas, durante o ano de 2006, na Arena de Matosinhos. 

São um exemplo claro do trabalho que o autor vem realizando, de registo de acontecimentos ou actividades que têm uma visibilidade restrita, e que permitem ilustrar conceitos mais abstractos como a violência e o sexo.

 

Arena #1-Antes do Combate
Rui Prata (Director Museu de Imagem de Braga), Outubro de 2008

Dizem os historiadores existirem vestígios arqueológicos que enunciam lutas com as mãos ainda anteriormente às civilizações grega e romana. Porém, a aproximação ao boxe, tal como o conhecemos hoje, tem lugar apenas no século XIX (1867), onde se determina o uso de luvas e limita o número de assaltos. A fim de tornar a modalidade mais competitiva e equilibrada introduzem-se, mais tarde, diferentes escalões, consoante o peso do pugilista. 

Este projecto de António Júlio Duarte – Arena #1-Antes do Combate – inscreve-se no “corpus” de trabalho que o autor vem realizando de “acontecimentos ou actividades que têm uma visibilidade restrita” e pretendem ser «ilustrações» de conceitos básicos mais abstractos, tais como a violência e o sexo.

O conjunto de imagens que constituem esta série, participa de diversos paradigmas da fotografia. Desde logo o retrato, que habita a generalidade da série, deixa-nos adivinhar um caminho relacional entre fotógrafo e fotografado. Desloca-se pois, do estilo de reportagem, na qual não existe uma penetração/permissão de entrada nos bastidores e que pode revelar a existência de uma possível aura. Ao confrontar-se com estas imagens, o espectador posiciona-se do lado oculto do fotógrafo e pode, não só experimentar as sensações do fotógrafo, como questionar-se sobre o personagem representado. O olhar, quase desafiador de alguns, a postura altiva de outros, ou ainda a sensação de fragilidade nuns tantos, conferem um quadro fortemente emocional. A forma como o autor recorre ao uso do flash confere, igualmente, um fio condutor dentro do grupo de fotografias.

Torna-se igualmente curioso observar a tipologia dos roupões que cada pugilista enverga a caminho da arena onde terá, dentro de minutos, lugar o combate. Naquilo que possa ser a ambiguidade e opacidade da imagem fotográfica o autor sonega-nos o óbvio: a violência e as suas consequências são-nos retiradas. E faz sentido. Hoje, num mundo pejado de imagens cruéis, faz muito mais sentido que assim seja. Sentimos que o autor penetrou num ambiente marginal, com os seus códigos, mas deixa o espectador na fronteira.

Finalmente, uma imagem assaz curiosa é a do relógio. A sua presença remete para o tempo. O tempo fotográfico que é escasso. O tempo do combate que pode sentir-se longo. O relógio marca 9.00 horas. Da manhã quando possa ter ocorrido um treino? Ou da noite quando precede um combate? Mais uma vez fica a interrogação.

Este conjunto de fotografias, pleno de metáforas, constitui uma excelente visão de um campo parcelar da sociedade presente, onde o autor, um dos mais consistentes da actualidade, tem desenvolvido um consolidado trabalho.

 

 

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