Novos Talentos FNAC Fotografia 2015
ATLAS
Flávio Nuno Joaquim

Atlas, de Flávio Nuno Joaquim, parte duma recolha exaustiva de provas fotográficas abandonadas ou esquecidas em espaços laboratoriais de Fotografia. Nesses espaços, onde se produzem imagens, o lugar de tentativa/erro é constante. Aí dão-se a conhecer metodologias, próximas ou afastadas, que são o resultado duma variação de abordagens individuais. O autor reuniu um enorme conjunto de imagens, apropriando-se delas. São testes, erros, repetições, os bastidores da construção de uma imagem que tornam visível aquilo que à partida não o é, ou que não costuma ser mostrado. Muitas vezes lixo para quem os produziu e documento para quem os recolheu, tornam-se em colecção, são o corpo de um arquivo, o corpo deste Atlas.

Com início em 2010, essa recolha resultou numa selecção de mais de um milhar de imagens, contendo uma grande variedade de suportes e processos fotográficos. Este acto recolector ensimesmado por um carácter arquivista gerou um processo de registo, organização e classificação. Flávio mergulhou nessa vastidão de imagens; construiu, desconstruiu e reconstruiu possíveis conexões entre elas. Este núcleo de imagens deu origem à construção de 52 painéis.

Atlas é um projecto que permite habitar este arquivo, tem uma estreita relação com a memória, com o carácter organizacional, metodológico, processual e (re)velador da Fotografia. Contextualiza e caracteriza uma determinada geração de fotógrafos e futuros fotógrafos e aponta ainda para as bases comuns da Fotografia enquanto disciplina.

Flávio Nuno Joaquim

Flávio Nuno Joaquim (Funchal, 1983)

Licenciado em Fotografia pelo Instituto Politécnico de Tomar e Mestre em Fotografia Aplicada pelo mesmo Instituto.

Tem desenvolvido trabalho no campo da fotografia científica, nomeadamente na área da fotografia aplicada à arqueologia, património, território e museologia, tendo participado em conferências, seminários e publicações. Colaborou com o MAPSVT – Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo e com o ITM – Instituto Terra e Memória, em Mação. Colaborou também com o projecto Gestart.

Expõe regularmente desde 2006. Em 2012 foi selecionado para a leitura de portefólios da Carpe Diem Arte e Pesquisa em Lisboa. No ano seguinte foi um dos artistas nomeados para representar Portugal na Bienal de Arte Contemporânea JCE – Jeune Création Européenne 2013/2015. Em 2014 integrou, através da leitura crítica de portefólios, a lista de artistas nomeados para o Prémio Internacional Encontros da Imagem em Braga.