Exposição
BERLIM I e II
Albert Corbí

O que têm em comum fotografias tiradas no metro de Berlim e páginas velhas de uma qualquer revista de moda? Para Albert Corbí, fotógrafo espanhol, há algo de profundamente semelhante entre estes dois universos.

As galerias subterrâneas, os passos perdidos, os minutos de espera. Homens, mulheres e adolescentes, letárgicos e apáticos, que olham fixamente para os carris ao mesmo tempo que esperam o comboio que rasga as profundezas dos túneis. O espaço é escuro, sujo, estranhamente decadente. Os passageiros olham em redor, olham para si mesmos, mas já não vêem realmente nada, perdidos na solidão das andanças do metro.

Um caixote do lixo. No seu interior, há uma velha revista de moda. As páginas estão molhadas e esborratadas. Os anúncios mostram restos de figuras femininas, em poses pretensamente lânguidas e com roupa de outras modas. Rostos dilacerados pela humidade mas que ainda preservam traços de uma beleza antiga. Não há ninguém que pegue nesta revista e que a folheie. Não há ninguém que perca tempo a olhar para anúncios sem tinta.

A vida, tal como a vivemos. As mesmas rotinas, dia após dia. Já não pensamos naquilo que fazemos, já não observamos aquilo que nos rodeia. Agimos de forma mecânica e estamos convencidos de que a nossa vida é como uma velha revista de moda, ultrapassada, sem qualquer novidade. Os nossos dias parecem repetidos, gastos, inúteis. A nossa indiferença, aliada a uma melancolia devastadora, não permite que descubramos a beleza das coisas simples.

Albert Corbí Llorens nasceu na província de Alicante, Espanha, em 1976. Em 2005, foi o vencedor do Novo Talento Fnac Fotografia, organizado pela Fnac Espanha. Desde então, já recebeu outros prémios e tem exposto, de forma individual e colectiva, em vários locais de onde se destaca o Centro Pompidou em Paris.

 

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