Discurso direto
Café Tavares (2)
Por Manuel de Freitas

Manhã no Tavares (mas é ainda
o álcool de ontem a escrever):
uma mesa, uma cadeira, o mar
à volta — e dou por mim
a pensar em questões inoportunas.

Acabará o mundo quando eu morrer
— como pensei durante tantos anos —
ou valerá a pena algum tipo de legado:
poemas, filhos (filhos não, certamente),
esmeros e preparos editoriais?

Largo a caneta, e peço outro café,
para afugentar de vez a metafísica.


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