Carlos Gil
Portugal

Carlos Augusto Gil nasceu a 19 de Maio de 1937, em Mortágua. Fotojornalista por vocação e paixão, cidadão do mundo, foi fotógrafo das gentes e dos sítios de Lisboa, unindo a sua paixão pelo pulsar da cidade à que nutria por Figueira de Castelo Rodrigo, terra de seus pais Augusto Gil e Cristina dos Reis Clara, onde passou toda a sua meninice e adolescência.

A sua paixão inicial foi o teatro. Entre 1957 e 1960, Carlos Gil colaborou com o Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), e com o Grupo de Teatro Independente Teatro d’Hoje, também de Coimbra, de que foi um dos fundadores. Este gosto pela representação foi interrompido temporariamente quando o jovem estudante foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório, com o posto de alferes miliciano. Partiu para Timor, onde ficou entre 1963 e 1965, depois de uma breve estadia em Mafra e Lisboa. No caminho para Timor, em Singapura, Carlos Gil adquiriu a sua primeira máquina fotográfica.

Regressado a Portugal, fixou-se em Lisboa. O ano de 1968 foi um de viragem na sua vida. Frequentava então o 4.º ano da Faculdade de Direito de Lisboa, quando decidiu trocar os estudos das leis pelo jornalismo. Ingressou no jornal A Capital, com que colaborou até 1970, primeiro como repórter, iniciando-se mais tarde no fotojornalismo.

O 25 de Abril de 1974 achou-o na revista Flama, da qual, como repórter, fez parte da redação semanal de atualidade. Aí permaneceu entre 1970 e 1977, saindo para colaborar como assessor de imprensa na Junta de Turismo da Costa do Sol – Estoril. Neste espaço de tempo, Carlos Gil foi ensaiando as suas primeiras contribuições na imprensa portuguesa e estrangeira, como fotógrafo e repórter freelancer. Carlos Gil foi um dos fotógrafos do 25 de Abril de 1974. Através da sua objetiva ajudou a documentar e a escrever parte da história da «Revolução dos Cravos». Quando alguém o acordou e incitou a sair à rua na madrugada da revolução, mal imaginava que iria viver um dia em grande, gastar rolos e rolos de fotos, e largar a monotonia da sua vida profissional de até então, resumida a tirar fotos de cortar fitas.

Carlos Gil teve a sua obra fotográfica publicada em várias obras de referência: Portugal Livre, de Fernando Assis Pacheco, 1974; Fotography Year Book, 1975; À descoberta de Portugal, 1982; Fotografia Portuguesa 1970-80, 1984; O Mundo em Azert, 1984; A Quinta do Recreio do Marquês de Pombal na Vila de Oeiras, 1987; História Contemporânea de Portugal, de João Medina, 1988; O Fotojornalismo Hoje, 1989; Por Terras de Portugal, 1992; Portugal Século XX, de Joaquim Vieira, 1999; Templos de Lisboa, 1.º e 2.º volumes, 2001, e Na Rota das Judeus, guias do Centro Nacional de Cultura; Mercado 24 de Julho, edição da CML; A pobreza Infantil em Portugal, trabalho de Manuela Silva, com o patrocínio da UNICEF; Carlos Gil – Um Fotógrafo na Revolução, de Daniel Gil e Adelino Gomes, 2004. É da sua autoria a foto escolhida para a capa da edição portuguesa do livro O Sorriso do Jaguar, de Salman Rushdie.

O fotógrafo, distinguido com vários prémios, morreu em Lisboa no dia 3 de Junho de 2001, tinha 64 anos.

Deixe um Comentário

3 Comentários

*