Exposição
FELLINI – LISBOA
Danilo Pavone

Danilo Pavone apresenta um conjunto de imagens que condensam o sabor deixado na boca por alguns dos filmes de Frederico Fellini.

É difícil encontrar uma descrição mais exacta deste do que a que ele mesmo deixou ao longo dos seus mais de vinte filmes. Um desfolhar de personagens que não são retratos seus, mas actores que desempenharam o papel de não o serem. Fellini acena a todas estas personagens e transmuta grotescamente entre elas e os lugares de uma história.

Nos seus filmes, somos simples espectadores de um contador de si mesmo. Sentados, assistindo às suas criações, somos por vezes percorridos por uma sensação de solidão, como homens cinzentos que de mãos nos bolsos, atravessam ruas povoadas de mulheres angustiadas e resignadas ao seu próprio fado de heroína dorida. Somos levados pelo braço ao longo dessa rua, no meio da folia que às vezes invade a praça e que pouco depois some no silêncio aveludado da noite.

Serão todos os cantos dessa rua personificações de Fellini? Serão essas mulheres as suas mais-que-preferidas personificações? Não é importante saber se o são, porque, de uma forma muito objectiva, nada é o que parece ser e a procura desse conceito esbarra no irrealismo de Fellini, no seu confuso universo que nos emociona e que o  imortalizou.

 

 

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