Exposição
O ARQUIVO DE STANLEY KUBRICK
Uma viagem pelo universo de um dos cineastas mais importantes do século XX

Stanley Kubrick nasceu no bairro nova-iorquino do Bronx, a 26 de Julho de 1928. Desde muito jovem, Stanely começou por nutrir um grande interesse pela fotografia, a música e, por influência do seu pai, pelo xadrez. Ao longo da sua vida, estas três paixões iriam marcar a sua brilhante carreira cinematográfica e acabariam por ser a chave do seu sucesso profissional.  

Com apenas 17 anos, Stanley inicia a sua carreira fotográfica quando capta a expressão melancólica de um vendedor de jornais ao ler a notícia da morte de Franklin D. Roosevelt. Ao enviar a fotografia à conceituada revista Look, que a comprou por 25 dólares, cerca de 15 euros, Stanley torna-se no mais jovem repórter fotográfico que a defunta revista alguma vez contratou. 

Quando conseguiu juntar o dinheiro suficiente, Stanley inicia-se no mundo do cinema. Com 21 anos, realiza a sua primeira curta metragem documental de dezasseis minutos sobre o pugilista Walter Cartier, Day of the Fight. O sucesso desta motivou-o a dirigir outros dois documentários, The Flying Padre (1951) e The Seafarers (1952).    

É nesta altura que Stanley decide abandonar a revista Look para se dedicar totalmente à sua faceta cineasta. Auto financiadas e de baixo orçamento, realiza a sua primeira longa-metragem sobre uma guerra fictícia denominada Fear and Desire (1953) e, algum tempo depois, produz Killer’s Kiss (1953). Pouco, nestas primeiras tentativas, sugere o brilhantismo ainda por vir. 

Na sua nova tentativa, Stanley, juntamente com o produtor James B. Harris, conseguiu evoluir para um elenco profissional em Um Roubo no Hipódromo (1956). A partir daí, inicia-se a sua longa lista de êxitos: o anti-guerra Horizontes de Glória (1957); a superprodução Spartacus (1960); a polémica Lolita (1962); a controversa Laranja Mecânica (1971) ou o poderoso Nascido para Matar (1987) são alguns deles.

Sempre num tom provocador e com um sentido crítico, Stanley convertia cada um dos seus projectos num autêntico êxito. Morreu em 1999 em Harpenden, Inglaterra, deixando recém acabado o filme De Olhos Bem Fechados, que se estrearia postumamente uns meses mais tarde. 

Stanley Kubrick tornou-se, para a geração de amantes do cinema das últimas décadas, um ponto de referência, por ter sido um autêntico catalisador do espírito cinematográfico. Motivo mais do que suficiente para justificar a adoração e a crítica em torno da sua obra. 

Não há fanático do cinema que não saiba quem é Stanley Kubrick e que não se lembre de alguns dos atributos que normalmente se lhe associam: a sua pretensão de controlar todos os aspectos do processo cinematográfico, o seu individualismo, o seu perfeccionismo compulsivo, a sua fobia de viajar e de qualquer forma de hipocrisia social.

O projeto que Stanley Kubrick levou a cabo, em treze longas-metragens, não tem paralelo. Ao contrário de outros realizadores, sempre ambicionou que cada filme entrasse para a história do cinema como único. Imbuído na sua versatilidade, todas as suas obras podem ser rotuladas com um género diferente. O único elo entre os trabalhos que dirigiu é a exploração de um tema em comum: o de aquele que, invenção ou não do homem, pode impor-se, em determinado momento, contra a sua vontade. Na sua primeira época, é o poder nas suas múltiplas facetas: a perversão a que pode dar lugar o seu exercício, em Horizontes de Glória; as imperfeições não desejadas que, como organismo autónomo, pode albergar, em Dr. Estranhoamor; ou a sua capacidade para modificar o destino das personagens, em Spartacus; enquanto que na segunda época, aquela que começa com 2001: Odisseia no Espaço, a sua obra cada vez mais caminha para a exploração do onírico, do desejo, da loucura ou da violência, ou seja, de fenómenos que ao contrário dos mecanismos do poder, do interior do próprio indivíduo, podem impor-se igualmente sobre os seus desígnios. 

Qualquer que seja o objectivo que perseguiu em cada filme, o que é certo é que, Stanley se dedicou de corpo e alma a cada um deles.   

O seu senso de narrativa não convencional muitas vezes atiçou ferozes críticas. Apesar do seu valor como director tenha sido, e continue a ser, questionada por muitos, a crítica mais frequente é a de ser um cineasta presunçoso, de um esteticismo vazio. Mas não é tudo. Como é normal nestes casos, há também quem ache precisamente o contrário, que Stanley era excessivamente político e óbvio, por difundir através dos seus filmes mensagens demasiado claras: a aguçada crítica à prática militar em Horizontes de Glória, a alegoria sobre a evolução em 2001: Odisseia no Espaço, ou, já no auge da extravagancia, o alegado criptofascismo segundo alguns, em A Laranja Mecânica. 

Acima de tudo, este estilo, um estilo “kubrickiano” pela forma inovadora de olhar para o cinema,  só serviu para enaltecer a peculiaridade do cinema de Kubrick e torná-lo num artista único num meio dominado pela repetição e imitação.

 

FILMOGRAFIA STANLEY KUBRICK

1951: Flying Padre, curta metragem documental.

1951: Day of the Fight, curta metragem documental. 

1953: Fear and Desire, com Frank Silvera, Kenneth Harp, Stephen Coit e Paul Mazursky.

1953: The Seafarers, curta metragem documental.

1955: Killer’s Kiss, com Frank Silvera, Jamie Smith e Irene Kane.

1956: Um Roubo no Hipódromo (The Killing), com Sterling Hayden, Coleen Gray e Vince Edwards.

1957: Horizontes de Glória (Paths of Glory), com Kirk Douglas e Ralph Meeker.

1960: Spartacus, com Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Peter Ustinov e Tony Curtis.

1962: Lolita, com James Mason, Shelley Winters e Sue Lyon

1964: Dr. Estranhoamor (Dr. Strangelove, or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb), com Peter Sellers, George C. Scott e Sterling Hayden. 

1968: 2001: Odisseia no Espaço (2001: A Space Odissey), com Keir Dullea, Gary Lockwood e William Sylvester. Com este filme, Kubrick ganhou um Óscar de Melhores Efeitos Especiais.

1971: A Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), com Malcolm McDowell, Patrick Magee e Michael Bates.

1975: Barry Lyndon, com Ryan O’Neil e Marisa Berenson.

1980: Shining (The Shining), com Jack Nicholson, Shelley Duval e Danny Lloyd.

1987: Nascido para Matar (Full Metal Jacket), com Modine, Adam Baldwin e Vincent D’Onofrio.

1999: De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut), com Nicole Kidman e Tom Cruise.

 

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