Novos Talentos FNAC Literatura 2007
O Quadro
Bibi Perestrelo

Depois de um sono já tão longo, eis o primeiro voo. Querido cavalo que voa. Leão de ferro que se abre e pelo coração se alimenta. Amor[?]: quantos elementos preenchem estes nossos corpos vácuos, cheios de líquido e beijos desencontrados? Fogo que gela, madeira, terra... voa meu filhos perdido... luz eterna a despedaçar-se.

Olho-te, cigarro ardento, entre os dedos ainda. Tão felizmente. Infantis. Temos garras. Unhas. Ferro, bebo-te. Anuncio-te- Alongo o corpo até já não ter ossos, nem músculos, nem pele que se arrepia.

Vento. Tanto sopro. Esírito de luz intensa. Verbo: vens e és mel percorrendo as veias de um pressentido sentido conhecido possível sol. Voa. Voa, cavalo-cão-férreo; anis; carne de pedra que se poesia; mater nossa que estás na altura.

Depois de um sonho já tão longo, é o oriente que se dispara. Seta e arco. Chá. A seta disparada aproxima-se do alvo, ou, dispara-se o alvo. E é o alvo que se aproxima da seta.

Meu
Oriente
Onde dantes nascia o rei envolto em sete raios de cor. Oriente. Morto.
Pronto.

Meu
Ocidente
Hoje nasce lua, espadas que se concentram num ponto-corpo, num olhar estelar. Oferenda das mãos. Quantos elementos preenchem estes nossos corpos vácuos, cheios de intenso éter?

 Frederico Mora George, num mês de março de uma era invulgar. Depois de Cristo.