Exposição
Palm Diaries – Extractos de uma agenda de um qualquer instante
António Lucas Soares

A minha relação com a fotografia é simbólica. Alimentamo-nos um ao outro. Nunca necessitei da fotografia para ganhar a vida e por isso nunca tive necessidade de a “usar”. Por outro lado a fotografia tem-me revelado uma rede complexa de emoções: prazer, desafio, humanismo, solidariedade.

Interesso-me essencialmente pela faceta subjectiva da fotografia, mas não só. Tento situar os temas que abordo algures entre a representação e a narrativa, entre a fotografia documental e a fotografia plástica.

Até ao momento não tenho sido orientado por “projectos”. O quotidiano não-mediático é um dos temas que mais me interessam. O facto de viajar com frequência faz com que as histórias que conto desse quotidiano sejam mais universais: “Porto ou Budapeste, onde está a diferença?”.

Em termos estéticos, grande parte do meu trabalho instrumentaliza o movimento e a escuridão. Tempos de exposição maiores que o “correcto” possibilitam registos não acessíveis aos nossos olhos, revelando assim essas tais histórias não contadas: gestos difusos, expressões ambíguas, movimentos imperceptíveis. Enfim, matéria prima da imaginação. Por outro lado, às vezes há demasiada luz à nossa volta. A escuridão é um pré-requisito para que a alma se revele.

 

 

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