Discurso direto
Passaram quase cinquenta anos…
Luís Carlos Patraquim

Passaram quase cinquenta anos mas ainda oiço o som do violino “lido” na “Recordação da Casa dos Mortos” de Dostoievski. A terrível colónia penitenciária nos confins da Sibéria; a deambulação do prisioneiro na cela gelada. Não é o melhor exemplo para falar do prazer da leitura. Hélas!
Ler é viajar para dentro. Há o fruir das palavras, as estórias – terríveis ou não -, os ensaios e os grandes textos clássicos, alguns recentes. Há o texto, a Língua e a Linguagem, é verdade. As correspondências instalam-se, sobressaltam-nos. Vemos mais o Tempo, recriamos, imaginamos, é como se fossemos para a terceira margem do rio. Podemos “endoidecer” com o maravilhamento do mundo, o que se abre em nós através dos outros. Ler é escrever, confrontarmo-nos com a nossa subjectividade para errar melhor. E isso é um prazer, partilhado e partilhável.

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