Exposição
Praga ’57 – As fotografias checas de Gérard Castello-Lopes

Em Portugal, Castello-Lopes é sinónimo de cinema. A firma (produção e distribuição) foi fundada por José Castello-Lopes em 1916, e continuada pelos seus filhos, Gérard e José Manuel. Gérard, porém, foi também grande desportista (mergulho com escafandro e caça submarina, lançamento de peso, esgrima, etc.), tocava bem e improvisava ao piano (co-fundou o Hot Clube de Portugal) e, a partir de 1956, revelou-se um fotógrafo talentoso e empenhado. Hoje pode afirmar-se que Gérard Castello-Lopes (1925-2011) é o lídimo representante da ‘geração de ouro’ da fotografia portuguesa – a dos anos 1950 – que só seria revelada nos anos 1980 (tal o desinteresse português pela fotografia). Com uma vida dividida entre Cascais/Lisboa e Paris – mãe francesa, (2.ª) mulher e filhos franceses – GCL construiu uma obra una e ímpar, em dois tempos: 1956-1966 e 1982-2007. (A retoma foi provocada pela sua primeira exposição individual na Galeria Ether, em Lisboa.) Fotógrafo humanista (com pudor a fotografar as pessoas), mas também rigoroso no enquadramento e revolucionário no tratamento do espaço (oblíquo, modulado, superior/inferior, trompe-l’oeil, etc.) e na preocupação com a escala. Atravessou pela primeira vez a Cortina de Ferro em 1957 para ir a Praga negociar a compra de filmes checos. Ajudado pelo Inverno, viu uma cidade cinzenta e sombria, dominada pelas polícias e forças militares; a capital de um país comunista onde namorar as montras das lojas era uma diversão. Voltou em 1971 – três anos após a abortada Primavera de Praga – agora com a mulher, Danièle. Duas imagens de 1971 são incluídas nesta exposição: a do caos fotogénico do cemitério judeu (que toda a gente fotografa) e a da pomba da esperança (desfocada) pousada na cruz.

Jorge Calado

 

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