Discurso direto
Exceptuando os textos que nos obrigam a parar tudo…
Ricardo Adolfo

Exceptuando os textos que nos obrigam a parar tudo, mesmo que isso implique deixar de comer, falar ou trabalhar horas a fio, ou dias nos casos mais extremos, há três momentos únicos que podem definir o prazer da leitura.

 O primeiro é quando se está a fazer algo e não se consegue deixar de pensar no livro que estamos a ler. Por mais que a actividade em questão exija a nossa concentração, a cada aberta a mente foge para o lugar ficcional onde preferíamos estar.

 O segundo é quando fechamos o livro depois de muitas tentativas falhadas. Tudo o que queremos é voltar a abri-lo mas os olhos ou a vida já não deixam. Fechamo-lo na ânsia de poder voltar a ele muito em breve.

 O último, se calhar o mais forte, é quando não queremos que a experiência termine. Atormenta-nos sentir que as páginas por ler são cada vez menos, diminuímos a velocidade de leitura, relemos passagens ou capítulos inteiros e no fim deixamos a última página por ler. Tudo para que o prazer de estar a ler aquele livro continue para sempre.

 

Nasceu em Luanda em 1974. Cresceu nos arredores de Lisboa, licenciou-se em Marketing e Publicidade e vive em Amesterdão. Ricardo Adolfo divide o seu tempo entre a escrita e a publicidade. O seu trabalho já foi premiado em Cannes, Londres e Nova Iorque. Entre os seus últimos projectos destaca-se a curta-metragem There’s only one Sun, feita em parceria com Wong Kar-Wai.

 

Bibliografia

  • Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas (2009;  Objectiva)
  • La Peluquera de Lisboa (2008 , SUMA)
  • Mizé (2006; Dom Quixote);
  • Os Chouriços são Todos para Assar (2003; Dom Quixote).

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