Exposição
Silêncio
Ilustrações de Kumi Matsukawa e de Padre Nuno Branco, SJ

DATAS:

25/01/2017 - 25/02/2017 Santa Catarina

No âmbito da estreia do filme Silêncio, de Martin Scorsese, a Nos Audiovisuais convidou os artistas Kumi Matsukawa e  Padre Nuno Branco para “ilustrar” o trailer do filme.

O desafio pretende criar a oportunidade de apreciar a beleza das imagens pelo singular traço de cada um dos artistas, suscitar igualmente o contraponto ocidente-oriente e de forma simbólica   trazer à atualidade o contacto iniciado por São Francisco Xavier.

Assim, enquanto Kumi Matsukawa desenhou as cenas do trailer que representam elementos ocidentais, o Padre Nuno Branco é o autor das ilustrações que representam cenas Orientais.

O conjunto de imagens apresentadas – e que  tentam de certa forma recriar, numa sinopse  simples,  a história do filme.

O Japão e os Nambanjin 

A chegada dos portugueses ao Japão precipitou uma série de transformações no país. Além da abertura ao comércio externo e de um novo jogo de equilíbrios sociopolíticos, uma das principais novidades foi o Cristianismo, que encontrou grande abertura junto do campesinato e da classe militar. A fé cristã entrou no Japão em 1548, pelas mãos de S. Francisco Xavier. Apesar de algumas dificuldades, rapidamente a missão nipónica começou a crescer, assim como o número de fiéis. Ainda que o primeiro édito anti-cristão tenha sido publicado em 1587, as autoridades japonesas não queriam desagradar aos portugueses, que detinham o monopólio comercial na região. Com a chegada dos Holandeses e dos Ingleses, que faziam comércio sem pretensões de evangelização, estavam reunidas as condições para prescindir dos portugueses. Assim, em Janeiro de 1614 foi proibido o culto cristão e expulsos todos os missionários, iniciando-se uma forte perseguição à Igreja local. Quando, em 1639, os portugueses foram definitivamente expulsos do país, a Igreja entrou numa clandestinidade total que só teve fim com a nova abertura do Japão ao Ocidente, na segunda metade do século XIX.

“Uma história de contrastes: o maior sucesso missionário desencadeou as maiores perseguições.” in Dicionário de História Religiosa de Portugal por João Paulo Oliveira e Costa

O martírio de cristãos no Japão

Os principais episódios da história da perseguição e martírio de cristãos no Japão são sobejamente conhecidos: o primeiro édito de expulsão dos missionários em 1587, o martírio de Nagasáqui em 1597, a proibição do culto cristão em 1614 e, por fim, a expulsão dos portugueses em 1639, que ditou a clandestinidade absoluta da Igreja local.

Desde cedo as autoridades japonesas perceberam na religião cristã uma ameaça à tradição nipónica de sincretismo religioso e unidade nacional. Essa desconfiança ganhou força com a emergência do regime Tokugawa (1603-1867), que centralizou em si todas as dimensões do poder na sociedade japonesa. A verdade é que não foram só os cristãos a ser perseguidos – também algumas seitas budistas, como os Fujufuse, os Tendai ou os Hokke, foram proibidas e os seus membros exilados, na medida em que rejeitavam as tradições japonesas, ou se opunham ao regime político vigente. A ferocidade das políticas anti-cristãs resultou da persistência das comunidades e dos missionários, que continuamente desafiavam a autoridade central promovendo o culto clandestino. Se, de início, se acreditava que o exílio era pena suficientemente gravosa, rapidamente se evoluiu para a exposição e humilhação pública, a tortura e a morte. Dada a exaltação que a sociedade europeia da época fazia do martírio, as notícias da perseguição aos cristãos tiveram grande ressonância no resto do mundo, podendo encontrar- -se ainda hoje alguns vestígios desse “culto dos mártires”.

“[O regime Tokugawa] procurou pôr cobro àquilo que no seu entender considerava como excessos de autoridade e de protagonismo”. ”. in CURVELO, Alexandra e PINTO, Ana Fernandes – O martírio de cristãos no Japão, uma estratégia dos Tokugawa. Revista Lusófona de Ciência das Religiões. Vol. 15 (2009), pp. 147-159

 

P. Nuno Branco, SJ

Nasceu em Oeiras, vive na Comunidade do Noviciado (em Cernache) e trabalha como director do CUMN (Centro universitário dos Jesuítas (em Coimbra).

Entrou na Companhia de Jesus em 2002, após a Licenciatura em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Univ. Técnica de Lisboa e foi ordenado sacerdote em 2012. 

Já como jesuíta e durante os seus estudos de Teologia em Madrid e Paris (2008-2013), integrou um grupo de pessoas que têm por hábito desenhar em diários gráficos. Em 2013, já como sacerdote, foi convidado por Mário Linhares (coordenador de educação dos Urban Sketchers) a colaborar na orientação de Retiros de Diários Gráficos.

Desde 2013 até ao momento que têm oferecido, em mútua colaboração, contínuas experiências e momentos de formação sobre a relação do Espiritual com o Desenho a partir dos Diários Gráficos. São retiros destinados tanto a crentes como a não crentes

Kumi Matsukawa

Kumi Matsukawa nasceu e reside no Japão, onde se graduou em pintura pela universidade de Musashino Art.

Possui mais de 19 anos de experiência como ilustradora na industria de publicidade, desenhando storyboards para anúncios de  televisão.

Desde 2001 que também é professora de técnicas de desenho em pastel e aguarela. Colabora também com os Urban Sketchers desde 2009.

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