Exposição
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FOTOGRAFIAS DE PEDRO JAFUNO | NOVO TALENTO FNAC FOTOGRAFIA 2016, VENCEDOR

DATAS:

25/09/2017 - 25/11/2017 Vasco da Gama

No dia 21 de Outubro de 2015 lancei-me em viagem para o Leste da Europa. Durante um mês deambulei, sem roteiro nem expectativas, por ruas de cidades que nunca antes tinha visitado e das quais pouco tinha até ouvido falar.

Varsóvia, Cracóvia, Bratislava, Budapeste, Belgrado, Sófia.

Movido por um desejo de mudança, pessoal e profissional, comecei então uma viagem fotográfica que em tudo contrastava com o meu habitual processo de trabalho. Em todos os meus anteriores projectos fotográficos registei lugares com os quais desenvolvi uma grande relação de proximidade emocional. Lugares onde vivi vários anos, onde estudei, nos quais desenvolvi relações pessoais. A minha fotografia, nestes casos, era um partilhar da minha visão, uma perspectiva vivida, nativa.

Ao partir para o Leste europeu, parti para uma realidade distante, não só fisicamente como culturalmente. Ao contrário do que acontece com a Europa central, com a qual Portugual tem uma longa história de proximidade e de empréstimos culturais, o Leste raras vezes figura no nosso imaginário cultural partilhado. É assim t erra incognita e foi assim que eu a aproximei fotograficamente: sem quaisquer expectativas, sem um olhar treinado. Lá, não andava à procura de nada, simplesmente fotografava. Desenvolvi assim uma abordagem mais imediata à fotografia. Atravé s desta já não mostrava, mas sim descobria.

Para mim, como para a maioria dos portugueses da minha geração, os acontecimentos da II Guerra Mundial e da União Soviética são algo que faz parte de um qualquer currículo escolar: algo de que temos conhecimento, que vemos no Canal História, mas com os quais não tivemos real contacto. Algo distante. Para as gentes do Leste europeu esta não é uma história morta, mas sim algo que ainda está presente, que ainda fere. E esta relação pessoal com a história espelha-se nestas cidade, nas suas gentes, nos seus modos de viver, e como tal, inevitavelmente, espelha-se também nas minhas próprias imagens.

O peso histórico destes conflitos está presente nas ruas de Varsóvia, nos bairros judeus de Budapeste, nos monumentos vandalizados de Sófia. É algo real, palpável, visual. E vive ainda, sobretudo, dentro dos habitantes destas cidades. Toda a gente tem histórias familiares ligadas a estes acontecimentos, embora exista um silêncio perturbador, que parece querer esconder esta realidade.

Pedro Jafuno

 

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