Exposição
Uma Foto de Cada Vez
Gonçalo Cadilhe

Ilhas, montanhas, estreitos, horizontes, olhares, opiniões, o fundo das almas. O mundo. De isto se ocupa o cronista que viaje para escrever, que escreva para viajar. A palavra acompanha a solidão dos passos, a frase torna-se cúmplice dos quilómetros e, com os anos, entre o texto e o cronista forma-se uma relação simbiótica, interdependente, visceral. As imagens batem à porta, tímidas, intimidadas. Há lugar para elas? E fazem sentido? Não são necessárias, já se viu: a relação entre o cronista e a palavra é plena e exclusiva. O que sobra para elas?

Gonçalo Cadilhe fotografa desde que iniciou a sua carreira de viajante, há quase vinte anos, mas sempre canalizou a sua energia para a produção literária, considerando que as imagens pouco mais viriam acrescentar ao que estava escrito. Apesar de as suas fotografias aparecerem regularmente nas páginas do Expresso, dentro do espaço das suas crónicas, a verdade é que raras vezes o autor de 1 Km de Cada Vez aceitou o desafio de expor as suas imagens a solo, desprotegidas, fora de contexto.

No entanto, a pequena selecção aqui reunida − com destinos tão exóticos e distantes entre si como as Filipinas, as Galápagos, os Andes, a Califórnia, a África Austral e inclusivamente uma travessia transoceânica −   não deixa de piscar o olho à produção literária de Gonçalo Cadilhe. Quase como se a simbiose viajante-palavra chegasse por fim, também, à imagem.

A exposição “Uma Foto de Cada Vez” é um outro convite a uma viagem pelas geografias dispersas e electivas do mais determinado viajante português da actualidade.

 

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